Checklist de Go Live SAP: o que conferir antes de virar a chave
Go Live raramente falha pelo que estava no plano. Falha pelo que cada um achou que o outro estava cuidando.
Depois de muitos cutovers, os pontos de falha se repetem com uma monotonia quase cômica. Esta é a lista que vale conferir item por item, com nome e data ao lado de cada um.
1. Carga de saldos: conferida contra o quê?
Saldo migrado tem que bater com o sistema antigo na data de corte, não com uma planilha intermediária. Parece óbvio e é o erro mais comum: a planilha vira a fonte da verdade no meio do caminho, e o erro entra ali.
O que conferir:
- Balancete do legado na data de corte × balancete do SAP depois da carga
- Posição de estoque por depósito, não só o total
- Contas a pagar e a receber em aberto, título a título, não pelo somatório
- Imobilizado com depreciação acumulada — o item que mais aparece errado
Quem assina o "de acordo" tem que ser a contabilidade, não o time de projeto.
2. Autorizações: testadas com o usuário de verdade
Perfil testado pelo consultor com o próprio usuário não prova nada: o consultor geralmente tem SAP_ALL em qualidade.
O que conferir: cada perfil executado por uma pessoa da área, na transação que ela usa no dia, em ambiente de qualidade com a autorização de produção. Uma hora de teste aqui evita a primeira semana inteira de "não consigo entrar".
E prepare o caminho do erro: quem libera autorização no dia do Go Live, e em quanto tempo? Sem isso definido, o Basis vira gargalo com cinquenta pedidos na fila.
3. Integrações: a lista de quem fala com quem
A planilha de interfaces costuma existir. O que costuma faltar é o teste de ponta a ponta com o sistema do outro lado em produção, não em homologação.
O que conferir:
- Cada interface executada uma vez com dado real, de ponta a ponta
- O que acontece quando o outro lado está fora do ar: fila, retentativa ou perda?
- Quem é avisado quando uma interface falha — pessoa, não caixa de e-mail genérica
4. Impressão fiscal e documentos: o teste que exige papel
Nota fiscal, boleto, etiqueta de expedição, romaneio. São os itens que param a operação de verdade: sem nota, não sai caminhão.
O que conferir: emissão real em ambiente de produção, com a impressora da expedição, no papel certo, no dia anterior à virada. Layout que fica bonito na tela e sai cortado na matricial é clássico demais para ser engraçado.
E a homologação com a SEFAZ do estado, se houve mudança de ambiente ou certificado.
5. O plano de volta atrás
A pergunta que incomoda e precisa ser feita: até que momento dá para desistir, e como?
Um plano de rollback de verdade tem três coisas escritas: o ponto sem retorno (data e hora), quem decide, e o que acontece com os lançamentos feitos no SAP até ali. Se a resposta para a terceira for "a gente vê na hora", não existe plano — existe esperança.
Na prática, o ponto sem retorno costuma ser o primeiro faturamento. Antes dele, voltar é caro; depois, é refazer contabilidade.
6. O suporte da primeira semana
Go Live não termina no Go Live. A primeira semana tem volume de dúvida que nenhuma estrutura normal absorve.
O que organizar antes:
- Alguém fisicamente perto de cada área crítica nos três primeiros dias
- Canal único para dúvida, com registro — não WhatsApp disperso
- Critério do que é erro de sistema e do que é falta de treino, porque a
proporção costuma ser de um para quatro
- Quem decide quando um problema vira correção emergencial
É também o momento em que o contrato de AMS começa a valer, se houver. Vale conferir se o fornecedor sabe que o Go Live é naquela data — mais de uma vez isso pegou gente de surpresa dos dois lados.
O que ninguém conta sobre o fim de semana do cutover
O cronograma de cutover vira à noite e no fim de semana, e é feito por gente que trabalhou a semana inteira. Erro de madrugada acontece por cansaço, não por falta de competência.
Duas medidas simples resolvem a maior parte: turnos escritos com hora de entrada e saída, e dupla conferência nos passos irreversíveis — carga de saldo, abertura de período, liberação de faturamento. Nenhum passo irreversível executado por uma pessoa sozinha às quatro da manhã.
Como usar esta lista
Imprima, coloque nome e data ao lado de cada item, e leve para a reunião de prontidão. Item sem dono é item que não vai ser feito — e o Go Live é justamente o momento em que "alguém cuida disso" deixa de funcionar.
Go Live chegando e quer uma revisão independente?
Revisamos o plano de cutover com quem não participou do projeto. Olho de fora acha o que o time de dentro já não enxerga.